quarta-feira, 1 de maio de 2013

Aquelas palavras que eu nunca te disse - Clarissa Corrêa

"Olha, estou muito triste com você. Triste, chateada, decepcionada. Quando você precisou de mim estive ao seu lado, incansavelmente. Te dei ouvido, colo, ombro. Foi gratuito, sim, veio do coração e foi sincero. E, não, eu não deveria esperar nada em troca, afinal, se a gente faz uma coisa porque quer não tem que esperar nadica de nada dos outros. 

Confesso que nunca esperei um obrigada. Tudo que faço é porque quero, não forço nada. Mas detesto me sentir usada, abusada e descartada. Não esperava que você beijasse meus pés, apenas que tivesse conhecimento de uma palavrinha chamada gratidão. Ela é tão bonita, tão importante nos relacionamentos. A gratidão é aquele sentimento que nos faz agradecer por ter pessoas leais em nossas vidas.


Todo o ser humano nasce com as tais (terríveis) expectativas. Elas nos tiram o sono, causam olheiras, fazem calo no coração. E eu infelizmente sou uma pessoa que tenho expectativas demais. Talvez o erro seja realmente meu, entende? Talvez eu tenha esperado que você tivesse consideração. Talvez eu não esperasse que você me virasse as costas depois de tudo. Agora você franze a testa e se pergunta: o que ela queria? Nada. Eu não queria agradecimentos públicos, presentes caros, anúncios no jornal. Só queria sentir uma sinceridade estampada no seu peito. Mas eu sinto uma competição. Não entendo muito disso, afinal, amigos não competem. Ou competem e não estou sabendo? 


É claro que ninguém nunca vai ser como a gente espera. É claro que precisamos fechar um olho, fingir que não ouvimos determinadas coisas, deixar passar batido outras tantas. Se formos levar tudo ao pé da letra fica muito difícil manter uma amizade. Mas não dá para pisar em ovos o tempo inteiro, não dá pra encenar um papel a todo instante. Precisamos ser nós mesmos. Preciso manter minha naturalidade, não posso viver dando desculpas para sua falta de jeito ou para o meu excesso de sentimentalismo. Sim, eu sei que fico filosofando sobre as coisas e procuro pelo em ovo. Mas ultimamente ando mais simples, mais consciente. O que tiver que ser vai permanecer. É claro que todos os relacionamentos exigem esforço, precisam de um empurrão para funcionar. Mas não posso ser a única a fazer esforço. Dois têm mais força que um. Lembra disso."


(via Clarissa Corrêa)
"Você não entende como não começa um relacionamento, como não se apaixona novamente, como não muda de vida.
Reclama da ausência de opções. É bonita, inteligente, divertida.
Minha hipótese é que não abandonou o passado.
Mantém flertes com o ex indiferente, ou continua saindo com sujeito que jamais assumirá o romance.
Raciocina que, enquanto não vem o escolhido, o príncipe, pode se entreter com velhas paixões.
Mas todos pressentem quando uma mulher está enrolada, todos intuem o caso mal resolvido, e não se aproximam.
Não virá ninguém para espantar os corvos e dissolver essa atmosfera pesada de Prometeu.
É trabalho em vão soterrar o precipício. Mulher desinteressada é impossível.
Ninguém ousará quebrar o monopólio de sua dor.
Você cheira a encrenca, cheira fidelidade a um terceiro. Seus ouvidos estão lentos, sua boca paira em distante lugar, seus olhos se distraem seguidamente.
Não tem brilho na pele, porém tensão nos ombros.
Sua respiração é um poço de suspiros.
Vive ansiosa por notícias, por reatos, mensagens. Não presta atenção, não se entrega para as casualidades.
Quem enxerga fantasmas não vê os vivos.
Não dá para começar um novo amor sem abandonar os anteriores. Errada a regra que a gente somente esquece um amor antigo por um novo.
Está com o corpo fechado, costurado, mentindo que já não sofre mais com as cicatrizes.
Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.
Mendiga retornos, não cria memória.
Sua nudez não responde ao pedido da curva. Nem balança com a música favorita.
Está tomada do carma, do veneno, do ressentimento.
Pensa que está bem, mas está em luto. Uma mulher em luto não permite arrebatamentos, afasta-se na primeira gentileza que receber, recusa a prosperidade das pálpebras piscando nos bares e restaurantes.
Você nunca vai encontrar seu namoro, seu casamento, sua paz, se não terminar de se arrepender.
É preciso guardar o máximo de ar, ir ao fundo, descer na tristeza e nadar para longe dela.
Não amará outro alguém sem solucionar pendências, sem recusar o homem que não a merece, o homem que não vai embora e tampouco fica.
Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.
Não amará outro alguém se não bloquear as recaídas, se insistir em ressuscitar as promessas.
Uma mulher nunca será inteira se mantém romances quebrados.
Nunca estará presente.
Nunca estará aqui.
Entenda, minha amiga, só ama quem está disposta a ser amada." CARPINEJAR

terça-feira, 30 de abril de 2013

Indicação de Leitura (A arte da guerra - Sun Tzu)

"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas..."

Indicação de leitura, escrito há mais de 2.500 anos e atualíssimo, um livro com ensinamentos, ou melhor, estratégias e táticas de guerra que podem ser aplicadas em qualquer área da nossa vida. Afinal quem é que não tem inimigos, qualquer inimigo que seja, precisando ser derrotado?!




Doidas e santas - Martha Medeiros

"Estou no começo do meu desespero/ e só vejo dois caminhos:/ ou viro doida ou santa." São versos de Adélia Prado, retirado do poema "A serenata". Narra a inquietude de uma mulher que imagina que mais cedo ou mais tarde um homem virá arrebatá-la, logo ela que está envelhecendo e está tomada pela indecisão - não sabe como receber um novo amor não dispondo mais da juventude. E encerra: "De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?"
Adélia é uma poeta danada de boa. E perspicaz. Como pode uma mulher buscar uma definição exata para si mesma estando em plena meia-idade, depois de já ter trilhado uma longa estrada onde encontrou alegrias e desilusões, e tendo ainda mais estrada pela frente? Se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões - e a gente sabe como as desilusões devastam - terá de ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso?
Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe???
Nem ela, caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações, que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá, que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores, que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa mesmo, só Nossa Senhora, mas, cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (Não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do.)
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar "the big one", aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá pra ocupar uma vida, não é mesmo? Mas além disso temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir, às vezes, que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo para o alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar uma cafetina, sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três destas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascinante.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só sendo louca de pedra.

MEDEIROS, Martha. Doidas e santas. In: Doidas e santas. Porto Alegre : L&PM, 2010.



E.T. chateadíssimo! Não consegue voltar pra sua casa desde 1982!rs





A tirinha só podia ser do melhor, Will Tirando! Sou fã assumida!!!!


Ouvir estrelas - Olavo Bilac

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto

A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."





segunda-feira, 29 de abril de 2013

Um dia...

Um dia um amigo me disse: "Pense no passado como um documento que você guarda numa gaveta. Ele sempre estará lá, você nunca vai se livrar dele. Mas é sua opção deixá-lo no fundo ou sobre todos os outros papéis."

Hoje eu gostaria de poder agradecê-lo e dizer: Obrigada por me ensinar a colocar tantas coisas e pessoas no fundo da gaveta...



Testemunho - Lya Luft

Para dar testemunho de meu tempo não preciso desfraldar uma bandeira partidária ou me enfiar nas trincheiras da guerra, nem as da violência cotidiana: na minha postura há de se refletir o que penso.
Para perseguir meus ideais não preciso me deixar matar: basta procurar a coerência, o que pode ser uma forma de heroísmo silencioso. Porém é bom lembrar que coerência rígida pode ser mediocridade.
Para ser boa filha não preciso me encolher, mentir, me afastar: os pais servem para fazer a gente crescer, eventualmente voar, ainda que seja para longe deles, mas sem que os laços de afeto precisem se romper.
Para ser boa mãe não preciso me vitimizar: a mãe-mártir desperta culpa e causa aflição. Só uma pessoa que se respeita e valoriza pode realmente amar seus filhos, prepará-los para não serem almas subalternas e lhes servir de eventual apoio.
Para ser boa amiga não preciso fingir nem mentir, vigiar nem agradar o tempo todo. Uma amiga verdadeira pode dar colo, abraço, escuta, dividir alegrias e ouvir confidências, mas não precisa bajular nem criticar.
Para ser boa amante não preciso me anular: basta – e já é difícil – ser estimulante e confiável, terna e cúmplice, quando for possível. Carinho não é servilismo nem sujeição.
Para ser inteira não preciso me defender erguendo barreiras à minha volta: às vezes só me fragmentando e dilacerando de amor, dor ou perplexidade, terei chance de juntar meus pedaços e me reconstruir mais inteira.
Para realizar alguma justiça social não preciso me despojar do que possuo, se o que tenho serve para a minha dignidade e não para o desperdício. O melhor é começar em casa, pois se pago miseravelmente a minha empregada, não posso pronunciar sem constrangimento palavras como “justiça” e “dignidade”.
Para ser humana não preciso exigir de mim o que seria próprio de deuses, mas prestar atenção nos outros e abrir-lhes espaço, admitir o mistério de tudo, respeitar a vida, tolerar minhas fraquezas, aproveitar meus talentos e procurar o dom da alegria – que é fundamental.
Para viver bem devo eventualmente pensar na morte, não como um susto mas estímulo para ser melhor; para morrer bem devo curtir minha vida de um jeito positivo, não me enxergando como a última nem a primeira das criaturas, mas vivendo de modo que para alguém ao menos eu tenha feito alguma diferença.
Pois alienação é também cultivar a amargura e ignorar que a vida pode ser boa, o amor positivo, o ser humano comovente, e o significado de tudo acessível ao coração e ao sonho.
Se não posso corrigir os males do mundo, da minha reduzida condição pessoal, posso ao menos não colaborar para que ele se torne mais violento, mais mesquinho e mais cruel.

domingo, 28 de abril de 2013

"Se você tem a coragem de deixar pra trás tudo que lhe é familiar e confortável (pode ser qualquer coisa, desde a sua casa aos seus antigos ressentimentos) e embarcar numa jornada em busca da verdade (para dentro ou para fora), e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista, e se você aceitar cada um que encontre no caminho como professor, e se estiver preparada, acima de tudo, para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você mesma... então a verdade não lhe será negada." Elizabeth Gilbert

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Cansei...

"Cansei de pedir desculpas por quem eu sou. Cansei de ouvir de todo mundo como é que se trabalha, se ama, se permanece, se constrói." Tati Bernardi